Notícias da paróquia › 18/03/2016

Somos Missionários

missionariosNo tempo da quaresma, que compreende o período entre a quarta-feira de Cinzas e a Missa da Ceia do Senhor, na Quinta-Feira Santa, quando inicia o tríduo pascal, Deus fonte da bondade e da misericórdia, Sl 102, indica-nos o jejum, a caridade e a oração como remédios para a nossa conversão, ratificados por Jesus, Mt 6,1-6.16-18, A Igreja do Brasil, por sua vez, nesse período, dá ênfase à evangelização, para que as pessoas se preparem para celebrar a Páscoa do Senhor com plenitude, sem se descurar de ampliar os seus conhecimentos no que tange à Palavra de Deus e à espiritualidade. Visa, ainda, conscientizar todos os batizados de seu compromisso de ser missionários e pôr em prática esse serviço, como orienta o Documento de Aparecida, “É necessário formar os discípulos numa espiritualidade da ação missionária, que se baseia na docilidade ao impulso do Espírito”, nº 284.

É inegável que o Brasil vive momento conturbado, com a constatação de que alguns dos poderes institucionais, em vez de servirem à nação e aos seus membros, por corrupção e desonestidade, locupletam-se de bens para adquirir poder e aumentar o seu patrimônio e de seus asseclas. Agem à margem da ética e da moral, como se fossem imunes pelos seus atos e estivessem acima da lei.

Respeitados os pensamentos divergentes, essas situações decorrem do ser humano viver como se Deus não existisse, ignorando a sua Palavra, aderindo ao mal e ao pecado. O crente, por sua vez, por ser missionário, não deve se afastar do iníquo, mas dele aproximar-se para convertê-lo e transformá-lo, como orienta S. Paulo, Rm 13, 8-10, na esteira de Jesus, “Não vim chamar os justos mas os pecadores”, Mc 2,17, Mt 9,13 e Lc 5,32.

O cristão, com o batismo, assume a missão de evangelizar, At 8,4; 10,44, Rm 16, 1-2, que é também da Igreja, da qual é cabeça Jesus, Cl 1,18. O Papa Francisco acentua que “Todos os homens têm o direito de conhecer Jesus Cristo e o seu Evangelho; e isso corresponde o dever dos cristãos – de todos os cristãos: sacerdotes, religiosos e leigos – de anunciarem a Boa Nova.” O Cânon 211 do Código de Direito Canônico, ao dispor a respeito dos direitos e deveres dos fiéis, reza que “Todos os fieis têm o direito e o dever de trabalhar, a fim de que o anúncio divino da salvação chegue sempre mais a todos os homens de todos os tempos e de todo o mundo.”

Nosso Senhor não deseja a morte do pecador, mas que antes se converta e viva, Ez 18,32. Deus, que é amor, continua a oferecer a todos os meios de salvação e de vida, conhecendo a verdade, 2Cor 5,14.

O missionário que se propõe a evangelizar mostra o amor incondicional e gratuito de Deus para cada um de seus filhos individualmente. O amor divino não espera e não necessita de nada em troca, nem mesmo de mudança de  nosso comportamento, Ef 2,8-9, embora, quem faça essa experiência mude de vida. Como obtempera São Paulo, despoja-se do homem velho pecador e corrupto, reveste-se do homem novo, criado à imagem de Deus em justiça e santidade verdadeiras, Ef. 4, 23-24.

Evangelizar não é julgar o próximo para aterrorizá-lo que seu caminho é o do inferno ou que não tem salvação, mas realçar a ternura, a bondade e o perdão de Deus, que sempre espera a adesão de cada um, de forma pessoal, ao seu projeto salvante. Chama atenção a benevolência de Jesus, durante a sua crucificação, para com os seus algozes, ao postular que fossem perdoados pelo Pai em razão de não saberem o que faziam, Lc 23,34. A mesma compaixão externou ao bom ladrão. Ambos estavam pregados na cruz e este Lhe suplicou que se lembrasse dele quando estivesse em seu reino. Jesus, de pronto, respondeu: “hoje estarás comigo no paraíso” Lc 23,42-43. Esse é o Deus do amor sem condições, 1Jo 4,8, que pela sua Páscoa nos impele à evangelização para levar as pessoas à santidade.

Wilson Cesca é advogado, agente de pastoral na Paróquia Santa Rita de Cássia e membro da Academia Campineira de Letras e Artes, em Campinas-SP.

Wilson Cesca

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