O Tempo Comum

cicloEsse tempo tem início na segunda-feira ou terça-feira que segue à Festa do Batismo do Senhor, é interrompido na terça-feira que antecede a Quarta-feira de Cinzas, para a celebração do ciclo da Páscoa, e retomado na segunda-feira após a Solenidade de Pentecostes.

O atual Tempo Comum tem esse nome porque nele não se celebra nenhum mistério especial da vida de Jesus Cristo. É o tempo marcado pela cor verde, cheio de esperança, em que o cristão, através da participação autêntica e consciente nas celebrações dominicais, vai tomando ciência de seus deveres e convertendo-se, dia após dia, à santidade.

O domingo, conforme a Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, n. 106, é o núcleo do Ano Litúrgico. Por isso mesmo não deve ser tratado com outros títulos, fruto de subjetivismos (por exemplo: terceiro encontro da Páscoa, ou primeiro encontro da Quaresma ou segundo encontro do Advento). Em primeiro lugar porque isso tira toda a força do nome e da importância do vocábulo “domingo” como o Dia do Senhor, ferindo a norma universal do nome litúrgico.

O Tempo Comum possui trinta e quatro domingos e, consequentemente, o mesmo número de semanas. O 1° e o 34° Domingo Comum cedem lugar à Festa do Batismo do Senhor e à Solenidade de Cristo Rei, respectivamente.

Ao redor desses domingos, sejam eles comuns ou dos tempos fortes, giram, como que uma coroa, o Santoral, cuja figura de Maria Santíssima sobressai-se de maneira eminente como tipo de Igreja, refulgindo como Rainha à direita do Filho Ressuscitado, pelos mistérios de sua Assunção aos Céus e Conceição Imaculada.

Existem três festas do Senhor que precedem os Domingos Comuns. Quando caem em determinado Domingo Comum, este cede lugar para as referidas celebrações. São elas: Apresentação do Senhor no Templo (2 de fevereiro), Transfiguração do Senhor (6 de agosto) e Exaltação da Santa Cruz (14 de setembro), todas precedidas de Primeiras Vésperas para a celebração da Liturgia das Horas.

Quanto às demais, somente as solenidades suplantam os Domingos Comuns. Se esses forem dos tempos fortes, tais celebrações são adiadas ou antecipadas. Por exemplo, se a Solenidade da Anunciação do Senhor (25 de março) cair na Semana Santa, é transferida para a segunda-feira após a Oitava da Páscoa; se a Solenidade de São José (19 de março) ocorrer em um domingo da Quaresma, é antecipada para o sábado. No Brasil, com a permissão da Santa Sé (Sagrada Congregação para o Culto Divino) e por ser muito celebrada entre os brasileiros, se a Solenidade da Imaculada Conceição cair em um domingo do Advento, é celebrada, mas na homilia o celebrante deve enfatizar o sentido da festa dentro desse precioso tempo de preparação para a vinda do Senhor.

Os dias feriais (da semana) do Tempo Comum apresentam, na Missa, as leituras da seguinte maneira: a primeira leitura em dois ciclos (anos pares e anos ímpares), geralmente leituras contínuas ou semicontínuas do Antigo e do Novo Testamento. Os Evangelhos são sempre os mesmos.

AS SOLENIDADES DO SENHOR NO TEMPO COMUM

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Mesmo dentro do Tempo Comum, a Igreja celebra quatro solenidades do Senhor que possuem datas móveis porque variam de acordo com a Páscoa. Elas possuem formulários próprios tanto para a parte eucológica (orações) do Missal Romano, como para as leituras no Lecionário. São elas:

A Solenidade da Santíssima Trindade
Celebrada no domingo que segue ao dia de Pentecostes, constitui como que um fechamento da revelação de Deus, através de seu mistério, aos homens. Toda celebração litúrgica começa e termina em nome da Trindade Santa, e o fato histórico da revelação trinitária foi o Batismo do Senhor, em que se ouve a voz do Pai, se vê o Espírito pairar em forma de pomba sobre o Filho, o qual acaba de receber o Batismo para santificar o nosso.

A Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo (Corpus Christi)
Essa solenidade é celebrada na quinta-feira depois do domingo da Santíssima Trindade. O fato histórico desse mistério ocorreu na Quinta-Feira Santa, dia da instituição da Eucaristia, mas para combater a Reforma Protestante, a Igreja em sua Contra-Reforma propôs a comemoração anual, em outra data, já que dentro do Tríduo Pascal não se poderia fazer com muita solenidade devido à celebração iminente da Paixão do Senhor

A Solenidade do Sagrado Coração de Jesus
Comemorada na Sexta-feira da semana seguinte ao dia de Corpus Christi, deseja enfocar o amor de Jesus ao extremo pela humanidade. É claro que, historicamente, é na Sexta-feira da Paixão que esse mistério é atualizado. O coração é invocado simplesmente como símbolo do amor. O que não deve ser esquecido é que ele foi traspassado e tornou-se fonte de vida para a Igreja ao despejar sobre aqueles que estavam ao pé da cruz e sobre nós, hoje, aquela fonte de água e sangue que jorra para a vida eterna.

A Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo
Essa solenidade localiza-se no último domingo do Ano Litúrgico (34° Domingo Comum), tendo por finalidade aprofundar a realeza de Cristo e o tema da parusia (segunda vinda). Quanto à realeza de Cristo, historicamente já foi celebrada na liturgia do Domingo de Ramos e da Paixão. Mas a Igreja achou por bem que, no final de mais um ciclo litúrgico, os fieis meditassem seu futuro e a repentina vinda do Senhor.

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