O Santoral

Também chamado de Martirológio ( de mártir, testemunho), o Santoral – que antes da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II chegava a suplantar os domingos mas que agora está em seu devido lugar – gira como uma coroa em torno do centro. Jesus Cristo e seu mistério pascal. Só podemos entender os santos se estiverem conectados a essa realidade.

All-Saints

A celebração do Santoral, tanto na Missa quanto na Liturgia das Horas, apresenta-se com a seguinte hierarquia: em primeiro lugar as festas da Dedicação das Igrejas, por serem consideradas do Senhor, seguidas das comemorações de Nossa Senhora, dos apóstolos, mártires, pastores, doutores, virgens, santos e santas (educadores, religiosos e os que exercem obras de misericórdia). Essas celebrações podem ser próprias, quando há formulários (orações e leituras) diretamente ligados à vida de determinado santo ou comuns a seu estado de vida na terra, ou seja, um modo mais geral de celebração. Veremos um pouco, passo a passo, essa hierarquização.

A comemoração da Dedicação das Igrejas e Consagração dos Altares
Sempre foi celebrada com muita solenidade pelo rito romano-latino, pois o Senhor é o verdadeiro Templo e Altar. Inspirado na dedicação do Templo de Jerusalém e dos lucernários (celebração da luz), realizados pelas famílias judias ao cair da tarde, o atual Rito da Dedicação da Igrejas evoca o templo de pedra como símbolo de todo cristão, o verdadeiro templo vivo de Deus, que se torna iluminado no dia do Batismo.

Maria02Festas dedicadas à Mãe de Jesus Cristo e nossa
As solenidades principais são Mãe de Deus (1º de janeiro), da Imaculada Conceição (8 de dezembro) e Bem-aventurada Assunção (15 de agosto). Em Maria, a cheia de graça, a Igreja reconheceu a toda santa e imune de qualquer mancha do pecado, enriquecida, desde o primeiro instante de sua conceição, com os esplendores de uma santidade singular, conforme afirma o n° 56 da Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja no mundo de hoje, do Concílio Vaticano II.

A outra solenidade de destaque da Virgem Maria é sua Assunção aos céus em corpo e alma. No Brasil, essa solenidade não é feriado. Por isso, é transferida para o domingo seguinte, permitindo aos fieis acorrerem às celebrações com maior disponibilidade de tempo. Nesse dia comemora-se o mistério pascal do Filho inserido na pessoa da Mãe.O Apocalipse 12,1 faz menção de “uma mulher vestida de sol”. A Igreja sempre interpretou esse texto como figura dela mesma e de Nossa Senhora, sua Mãe. A Assunção da Virgem Maria aos céus constitui uma grande antecipação do cumprimento definitivo de todas as coisas em Deus, como nos diz São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios 15,24.28: “Depois virá o fim, quando (Cristo) entregar o Reino a Deus Pai (…),a fim de que Deus seja tudo em todos”. Essa mulher é rainha do universo, pois traz a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a cabeça. Sua realeza provém da de seu Filho. É ele que transmite à sua Mãe essa prerrogativa, ela que o gerou na carne. Assim, como uma mãe, à semelhança de Maria, a Igreja gera filhos para a vida divina, através do Batismo e seus filhos e filhas são, constantemente, ameaçados pelo ódio do dragão (cf. Ap 12,3), que é satanás. Por isso devemos confiar na intercessão materna da Mãe da Igreja para que nos livre das tentações do maligno. Esse dia da Assunção de Maria já é um atestado em um lecionário de Jerusalém de meados do século V como Dia de Maria e celebrado em 15 de agosto. No século VII já havia uma celebração em Roma nesse mesmo dia com o título de Natale Santae Mariae (“Natal de Santa Maria”).

A Natividade de Nossa Senhora
Celebramos, ainda em grau de festa, o dia da Natividade de Nossa Senhora (8 de setembro). Aliás, depois do nascimento do Salvador, a Igreja só celebra mais duas natividades, essa dedicada à sua Mãe e a de seu precursor, São João Batista (24 de junho), que é celebrada três meses depois da Anunciação do Senhor (25 de março), para ser fiel ao dado escriturístico que diz: “No sexto mês da gravidez de Isabel, o Anjo Gabriel foi enviado” (Lc 1,26). Em todos os demais dias festivos do Santoral se celebra o nascimento para o céu, ou seja o dia da morte terrena ou outras datas ligadas fortemente à vida de cada um.

Nossa Senhora do Carmo
Mais recentemente, o então Papa João Paulo II elevou a memória de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho) ao grau de festa, para enfatizar o lado monástico da Mãe de Deus, mulher de escuta, meditação e oração.

Apresentação de Nossa Senhora
Encontramos, ainda, no calendário litúrgico, por influência do “Protoevangelho de Tiago”, a memória da Apresentação de Nossa Senhora (21 de novembro).
O mesmo Santo Padre exorta-nos com relação ao culto à Virgem Maria e aos títulos que a piedade cristã lhe atribuiu: “Tendo recebido de Cristo a salvação e a graça, a Virgem é chamada a desempenhar um papel relevante na redenção da humanidade. Com a devoção mariana os cristãos reconhecem o valor da presença de Maria no caminho rumo à salvação, recorrendo a Ela para obter todo o gênero de graças. E eles sabem, sobretudo, que podem contar com sua intercessão materna, para receber do Senhor quanto é necessário ao desenvolvimento da vida divina e à obtenção da salvação eterna.

Celebração dos mártires, pastores, doutores, virgens, santos e santas (educadores, religiosos ou os que exerceram obras de misericórdia)
Conforme o costume da região: se a Igreja Universal os celebra como festa ou memória, dependendo do lugar elevar-se-á ao grau de solenidade, por exemplo, se for o padroeiro(a) de uma diocese, paróquia ou fundador de uma ordem religiosa.

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