O Ano Litúrgico

ADV. 4A Eucaristia é a fonte de toda e qualquer celebração litúrgica. E o Ano Litúrgico tem como centro e cume, justamente a celebração anual da Páscoa. Esta última tem a Eucaristia presente de modo marcante na celebração que início ao Tríduo Sacro em honra do Cristo Morto, Sepultado e Ressuscitado, começando com a celebração da Missa In Coena domini (“Na Ceia do Senhor”) e atingindo seu ápice na Vigília Pascal, fonte de vida para a Igreja, noite batismal e eucarística.

Portanto, no centro de todo o Ano Litúrgico está Jesus Cristo, e não o Santoral, como se costumava pensar antes da renovação litúrgica proposta pelo Concílio Vaticano II. O domingo estava cedendo lugar às devoções pessoais, que são úteis para a vida de fé, mas que nunca deverão obscurecer o mistério de Cristo celebrado na liturgia oficial.

O Ano Litúrgico é o ciclo da celebrações anuais da Igreja que recordam (atualizam) o mistério de Cristo no tempo. Pode-se dizer, ainda, que ele é a celebração da encarnação e da redenção de Deus no mundo, a celebração dos acontecimentos salvíficos no tempo, tendo como finalidade primordial apresentar a obra redentora de Cristo. O Ano Litúrgico celebra, portanto, fatos históricos relacionados à obra salvadora de Jesus Cristo, e não meros ritos temáticos. Sendo assim, não seria Ano Litúrgico somente a celebração dos santos, uma simples comemoração de datas cívicas, as celebrações dos meses temáticos (mês mariano, mês das vocações, mês da Bíblia, mês das missões), pois isso empobreceria a apresentação pedagógica do mistério de Cristo.

Dentro do Ano Litúrgico o mistério de Cristo é sempre atualizado em um eterno presente e nessa dimensão memorial encontramos a profética. Todo batizado é ungido sacerdote para pertencer a uma raça eleita e é chamado a ser profeta, ou seja, denunciador de situações que não condizem com o Evangelho de Cristo. Deve denunciar, não somente com a voz, mas sobretudo com o testemunho, como verdadeiro profeta da Nova Aliança, o Cristo vivo que nos conduz para a verdadeira vida. Portanto, na celebração do Ano Litúrgico não podemos perder sua vivência memorial, atual e profética.

Por esse motivo, o Ano Litúrgico é irrepetível; a cada ano celebramos (atualizamos) os mesmos fatos históricos da vida de Jesus Cristo, mas sempre de maneira diferente, pois não somos os mesmos, já nos convertemos, tornamo-nos mais próximos de Deus, já que há uma dimensão sacramental nessas celebrações. A forma gráfica mais elucidativa para representar o movimento do Ano Litúrgico e, justamente, uma espiral, dando assim uma ideia de continuidade e abertura.

Juntam-se nessa forma gráfica, as duas concepções de tempo: a linear do mundo judaico, ou seja, da perspectiva histórica de começo, meio e fim, e a visão grega circular de tempo, ou seja, do eterno retorno. A forma de espiral nos livra da repetitividade, do aprisionamento, e nos mostra que a cada ano, ao celebrarmos os mistérios fortes da vida de Cristo, que se inserem em nossa vida, somos levados a mudanças de atitudes as quais, consequentemente, conduzem-nos à casa do Pai.

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