Jesus é Misericordioso

jesus_misericc3b3rdioso_rostoPor Wilson Cesca

Uma das mais características feições de Jesus é sua misericórdia, em especial para com os pequeninos e arrependidos. À guisa de exemplo, perpassando pelos quatro evangelistas, joeira-se: ao ver as multidões cansadas e abatidas como ovelhas sem pastor, após ter curado todas as doença, teve compaixão delas, Mt 9,35-36; ressalta que as pessoas que têm saúde não precisam de médico, só os doentes e acrescenta que não veio para chamar os justos, mas os pecadores, Mc 2,17; todos os que possuíam doenças eram conduzidos a Jesus, que os tocava e  curava, Lc 4,40; orientou e converteu a samaritana que lhe serviu água para saciar a sua sede, Jo 4,1-26.

As paráfrases dos quatro excertos dos evangelhos permitem deduzir que Cristo é uma pessoa misericordiosa, bondosa, disponível a socorrer o próximo e a desculpar-lhe os defeitos e faltas, capaz de despertar a fé na vida e fazer viver.

Dentre suas mais tocantes e belas parábolas estão a dos operários da vinha, a do bom samaritano e a do filho pródigo. A primeira, Mt 20,1-15, narra a atitude do patrão que, um dia, em horários diferentes, contratou operários para a sua vinha. Aos primeiros, ajustou pagar uma moeda de prata. Aos demais, disse que retribuiria o que fosse justo. À tarde, decidiu pagar a todos o valor de uma diária. Os primeiros, que trabalharam o dia todo, ficaram descontentes, por receberem o mesmo dos que trabalharam uma hora. Retrucou o patrão: “eu não fui injusto com vocês! Acaso não posso ser generoso com aquilo que é meu?”

Na segunda parábola, a do bom samaritano, Lc 10,30-37, o Messias esclarece a um doutor da lei, que pretendia saber quem era o seu próximo. O Salvador retratou a hipótese do homem que percorria o caminho entre Jerusalém e Jericó e foi assaltado e deixado meio morto. Por ele passaram transeuntes indiferentes, como um sacerdote e um levita. Viu-o também um samaritano, tomado de compaixão, tratou de suas feridas, colocou-o em sua montaria, internou-o na hospedaria e comprometeu-se adimplir as despesas da recuperação. À pergunta de Jesus ao doutor para que respondesse qual dos três seria o próximo da vítima, afirmou que era “Aquele que usou de misericórdia para com ele.” O Salvador ordenou que fizesse o mesmo.

A terceira é a do filho pródigo, Lc 15,11-32, na qual o pai de dois filhos é cobrado pelo mais moço para que lhe adiantasse a herança. Assim fê-lo. Aquele tomou seus bens, partiu e esbanjou-os. Com muita dificuldade e fome, sequer podia nutrir-se com a lavagem dos porcos do local que trabalhava. Decidiu retornar para a casa paterna, onde havia afeto, riqueza e perdão. O pai recebeu-o com amor e mandou preparar um banquete, justificando a sua alegria: “este meu filho estava morto e tornou a viver; estava perdido e foi encontrado.”

A primeira e terceira parábolas demonstram de maneira viva a infinita misericórdia de Nosso Senhor e a sua ânsia de perdoar o pecador contrito. A segunda, por sua vez, revela que a possibilidade de salvação é um dom gratuito e compreende todas as pessoas, uma vez que foi por isso que o Aniversariante foi enviado ao mundo.

Cantar e celebrar a divina misericórdia é proceder em consonância com a Igreja e o Bispo de Roma, que na Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, Misericordiae Vultus exorta, lembrando o ensinamento de Jesus, “Sede Misericordiosos como o vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Humildemente, dá sugestões para o cotidiano: “Que grande mal fazem as palavras, quando são movidas por sentimentos de ciúme e inveja! Falar mal do irmão na sua ausência equivale a deixá-lo malvisto, […]. Não julgar nem condenar, significa, positivamente, saber o que há de bom em cada pessoa […]. Jesus pede também perdoar e dar. Ser instrumento do perdão, porque primeiro o obtivemos nós de Deus. Ser generoso para com todos, sabendo que também Deus derrama sua benevolência sobre nós com grande magnanimidade” nº 14.

 

Wilson Cesca é advogado, agente de pastoral na Paróquia Santa Rita de Cássia e membro da Academia Campineira de Letras e Artes, em Campinas-SP.

 

Imprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *