Crisma

Em que consiste

Juntamente com o Batismo e a Eucaristia, o sacramento da Confirmação constitui o conjunto dos “sacramentos da iniciação cristã”, cuja unidade deve ser salvaguardada. Por isso, é preciso explicar aos fiéis que a recepção deste sacramento é necessária à consumação da graça batismal. Com efeito, pelo sacramento da Confirmação os fiéis são vinculados mais perfeitamente à Igreja, enriquecidos de força especial do Espírito Santo, e assim mais estritamente obrigados à fé que, como verdadeiras testemunhas de Cristo, devem difundir e defender tanto por palavras como por obras.

No rito deste sacramento, convém considerar o sinal da unção e aquilo que a unção designa e imprime: o selo espiritual.
A unção, no simbolismo bíblico e antigo, é rica de numerosos significados: o óleo é sinal de abundância e de alegria, ele purifica (unção antes e depois do banho) e amacia (unção dos atletas e dos lutadores); é sinal de cura, pois ameniza as contusões e as feridas, e faz irradiar beleza, saúde e força.

Todos estes significados da unção com óleo voltam a encontrar-se na vida sacramental. A unção antes do Batismo, com o óleo dos catecúmenos, significa purificação e fortalecimento; a unção dos enfermos exprime a cura e o reconforto. A unção com o santo crisma depois do Batismo, na Confirmação e na Ordenação, é o sinal de uma consagração. Pela confirmação, os cristãos, isto é , os que são ungidos, participam mais intensamente da missão de Jesus e da plenitude do Espírito Santo, de que Jesus é cumulado, a fim de que toda a vida deles exale “o bom odor de Cristo”.

Por esta unção, o confirmando recebe a “marca”, o selo do Espírito Santo. O selo é o símbolo da pessoa, sinal de sua autoridade, da sua propriedade sobre um objeto – assim, os soldados eram marcados com o selo de seu chefe, e os escravos, com o do seu proprietário – ; o selo autentica um ato jurídico ou um documento e o torna eventualmente secreto.

Cristo mesmo se declara marcado com o selo de seu Pai. Também o cristão está marcado por um selo: “Aquele que nos fortalece convosco em Cristo e nos dá a unção é Deus, o qual nos marcou com um selo e colocou em nossos corações o penhor do Espírito”.(2Cor 1,21-22). Este selo do Espírito Santo marca a pertença total a Cristo, a mobilização para o seu serviço, para sempre, mas também a promessa da proteção divina na grande provação escatológica.

No rito romano, o Bispo estende as mãos sobre o conjunto dos confirmandos – gesto que, desde o tempo dos Apóstolos, é o sinal do dom do Espírito, invoca a efusão do Espírito:

Deus todo-poderoso, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que pela água e pelo Espírito Santo fizestes renascer estes vossos servos, libertando-os do pecado, enviai-lhes o Espírito Santo Paráclito; daí-lhes, Senhor, o espírito de sabedoria e inteligência, o espírito de conselho e fortaleza, o espírito da ciência e da piedade – e enchei-os do espírito de vosso temor.

Segue-se o rito essencial do sacramento. No rito latino,”o sacramento da Confirmação é conferido pela unção do santo crisma na fronte, feita impondo a mão, e por estas palavras: “Recebe o selo do dom do Espírito Santo”.

O ósculo da paz, que encerra o rito do sacramento, significa e manifesta a comunhão eclesial com o Bispo e com todos os fiéis.

Todo batizado ainda não confirmado pode e deve receber o sacramento da Confirmação. Pelo fato de o Batismo, a Confirmação e a Eucaristia formarem uma unidade, segue-se que “os fiéis têm a obrigação de receber tempestivamente esse sacramento”, pois sem a Confirmação e a Eucaristia, o sacramento do Batismo é sem dúvida válido e eficaz, mas a iniciação cristã permanece inacabada.

A tradição latina indica “a idade da razão” como ponto de referência para receber a Confirmação. Todavia, em perigo de morte deve-se confirmar as crianças, mesmo que ainda não tenham atingido o uso da razão.

Se às vezes se fala da Confirmação como o “sacramento da maturidade cristã”, nem por isso se deve confundir a idade adulta da fé com a idade adulta do crescimento natural, nem esquecer que a graça batismal é uma graça de eleição gratuita e imerecida que não precisa de uma “ratificação” para tornar-se efetiva. S. Tomás recorda isto:

A idade do corpo não constitui um prejuízo para a alma. Assim, mesmo na infância, o homem pode receber a perfeição da idade espiritual da qual fala o livro da Sabedoria(4,8): “Velhice venerável não é longevidade, nem é medida pelo número de anos”. Assim é que muitas crianças, graças à força do Espírito Santo que haviam recebido, lutaram corajosamente e até ao sangue de Cristo.

A preparação para a Confirmação deve visar a conduzir o cristão a uma união mais íntima com Cristo, a uma familiaridade mais intensa com o Espírito Santo, a sua ação, seus dons e seus chamados, a fim de ele poder assumir melhor as responsabilidades apostólicas da vida cristã. Por isso, a catequese da Confirmação se empenhará em despertar o senso da pertença à Igreja de Jesus Cristo, tanto à Igreja universal quanto à comunidade paroquial. Esta última tem uma responsabilidade peculiar na preparação dos confirmandos.

Para receber a Confirmação é preciso estar em estado de graça. Convém recorrer ao sacramento da Penitência para ser puficado em vista do dom do Espírito Santo. Uma oração mais intensa deve preparar para receber com docilidade e disponibilidade a força e as graças do Espírito Santo.

Para a Confirmação, como para o Batismo, convém que os candidatos procurem a ajuda espiritual de um padrinho ou de uma madrinha. Convém que seja o mesmo do Batismo, a fim de marcar bem a unidade dos dois sacramentos.

Fonte : Catecismo da Igreja Católica – 1285,1293-1296,1299-1301,1306-1311

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