Notícias da paróquia › 28/05/2014

A solene Dedicação do Templo e Consagração do Altar de Santa Rita

Na celebração jubilar do cinquentenário de nossa paróquia, no último dia 22 de maio de 2014, na Celebração da Missa das 19 horas, nosso Arcebispo Metropolitano, Dom Airton José dos Santos, solenemente dedicou o Templo, os objetos litúrgicos, abençoou e consagrou o Altar ungindo-o e as paredes com o Santo Crisma. O rito de dedicação foi anunciado por Dom Airton José justamente um ano atrás, na festa da padroeira e abertura do ano jubilar, surpreendendo e emocionando nosso pároco, vigário e todos os paroquianos presentes naquela ocasião.

A celebração concorrida por inúmeros fieis, diversos padres, autoridades do município, acompanhada pelo Coro da Arquidiocese de Campinas, foi o ápice da celebração jubilar da paróquia e da festa de Santa Rita de Cássia. Um momento singular e belo que permanecerá gravado no coração de todos os paroquianos e fieis de Santa Rita.

unção-colunasMas o que se trata a dedicação da Igreja e consagração do Altar?

Aproveitamos esta edição para comentar este belo e rico sacramental, seu significado e sinal.

O Cerimonial dos Bispos afirma que a Igreja, desde que construída como edifício destinado unicamente e de modo estável a reunir o povo de Deus e a realizar os atos sagrados, torna-se casa de Deus. Por isso, de acordo com antiquíssimo costume da Igreja, convém que seja dedicada ao Senhor mediante rito solene. Quando a igreja é dedicada, tudo o que nela se encontra, fonte batismal, cruz, imagens, órgão, sinos, estações da “via-sacra”, deve considerar-se abençoado e erigido com o próprio rito da dedicação, não sendo precisa nova bênção ou ereção. Toda igreja dedicada deve ter um Titular. Convém se mantenha a tradição da Liturgia Romana de encerrar sob o altar relíquias dos Mártires ou de outros Santos. Note-se que sejam partes dos corpos e que de tamanho tal que isso seja notado e que sejam postas sob a mesa do altar.

“Nós não erigimos altares aos mártires para oferecer-lhes sacrifícios, mas ao Deus único, Deus dos mártires e nosso. São nesse sacrifício, nomeado em seu lugar e em sua ordem como homens de Deus que venceram o mundo, confessando seu nada. O sacerdote que oferece o sacrifício não os invoca, porque oferece a Deus e não a eles, embora ofereça em suas memórias. E sacerdote de Deus, não dos mártires.” Santo Agostinho, A Cidade de Deus, livro XXII, 10.

No seu sentido etimológico, o verbo “dedicar” significa “proclamar solenemente”. A palavra “dedicação”, na sua origem, não tinha um sentido especificamente cristão. Estava presente na vida social e religiosa. “Dedicar” quer dizer destinar, atribuir, oferecer, inaugurar. Na Sagrada Escritura, a palavra “hanukka” (Nm 7,11; 2Cr 7, 5; Esd 6,16) foi traduzida para o grego como “encênia”, que significa inauguração. Designa a festa da dedicação do templo. No paganismo era comum a dedicação de um templo, de cidades, de teatros. Ainda hoje, é comum haver lançamento de livros e discos com a devida “dedicatória”.

As raízes bíblicas dos ritos de dedicação aparecem em Gn 28, 18 (dedicação de coluna de pedra); Nm 7, 10-11.84.88 (dedicação de altar); Dt 20, 5 (dedicação de casas), e sobretudo as diversas dedicações do templo, por Salomão (lRs 8, 1-66), por Esdras (Esd 6, 15-18) e a purificação do templo por Judas Macabeu (lMc 4, 36-59), renovada anualmente na festa da hanukká.

A dedicação de Igrejas é um rito muito antigo, caracterizado pelo seu aspecto festivo e popular. Quando, em dezembro do ano 164 a.C., Judas Macabeu purificou o templo de Jerusalém e erigiu o altar, a festa de dedicação prolongou-se por oito dias (lMc 4,36-59). No tempo de Esdras, por ocasião da construção do segundo templo, a festa da dedicação durou sete dias e foram sacrificados cem touros, duzentos carneiros e quatrocentos cordeiros (Esd 6,15-18).

O Concílioo Vaticano II apresenta a Igreja como o Povo de Deus reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Lumen Gentium 4). É muito importante notar que ao fazer a reflexão sobre a Igreja, o Concílio não se limitou àquilo que é visível como, por exemplo, a sua organização, mas foi até o mistério, isto é, à fonte de onde jorra a Igreja: a comunhão da Santíssima Trindade.

A Igreja de pedras é a imagem da Igreja Viva. Conhecemos uma pessoa, uma família, um povo pela maneira com que ocupa um espaço, como dispõe da matéria, como arquiteta, como organiza a maneira de viver. Portanto, uma construção não é apenas uma ocupação de caráter prático, para uso imediato, mas também é um indicativo do espírito que ali vive. “Vós sois o edifício de Deus” (1Cor 3,9)

A construção cristã tem a preocupação de ser um espaço humano (feito por homens e mulheres numa determinada região, cultura e tempo), mas sabe ser, sobretudo, um espaço do povo de Deus, isto é, ultrapassa as culturas, os tempos, os próprios homens e mulheres que a ocupam. Trata-se de um espaço divino a serviço do ser humano. Os construtores de igrejas servem ao Senhor como extensão da liturgia. As igrejas construídas pelos homens e mulheres são sinais visíveis da Igreja, povo de Deus convocado e reunido em assembleia (da palavra ecclesia = Igreja) na liturgia em torno do Cristo.

Se a Igreja cristã pode ser dita sinal da presença de Deus é, antes de mais nada, porque ela é a construção onde se reúnem em assembleia os cristãos que são o Corpo do Cristo, assim a construção cristã é a Casa da Igreja, daqueles que são convocados e O celebram. “Não sabeis que sois templos de Deus…?” (1Cor 3,16)

O edifício de pedras é sinal sacramental (sinal-símbolo) para a comunidade e testemunho-anúncio à cidade ou região. Sua aparência não será luxuosa nem tampouco suja ou desleixada, dada a dignidade do local. A Igreja = Assembleia convocada e reunida em nome do Cristo é a morada do Espírito Santo e a Igreja de pedras é a construção que contém o Corpo Místico de Cristo. Por essa razão, o edifício-igreja manifesta essa grandeza.

O Altar é o sentido básico de orientação para os batizados, para a comunidade dos fieis “voltados para o Senhor”. Só uma assembleia que tem uma orientação para onde se voltar será modelada e permitirá modelar o edifício.

O Altar é Cristo, centro de todo o edifício. A pedra angular do edifício de pedras vivas. O centro e coração do Corpo Místico que é a Igreja, a comunidade dos fieis. Ele dá testemunho silencioso do encontro e da aliança selada entre Deus e os seres humanos. O Altar é o Calvário, local da Paixão, onde ela se atualiza na História, é a pedra do sacrifício.

Na longa tradição cristã, o Espaço Sagrado sempre foi sinal das coisas celestes aqui, conosco. O espaço cristão não é o espaço de um deus qualquer, de ídolos. É o espaço de um Deus que: Chama, Fala, Convoca, Celebra a Aliança. É o espaço para o ser humano que responde. Portanto, é um espaço sagrado e confiado à Deus, às coisas de Deus, aos amigos de Deus, sua família, sua Assembleia.

O novo Ritual recupera a riqueza do rito da dedicação, inserindo-o dentro da celebração eucarística, que na igreja primitiva era em si, a própria dedicação. Na celebração da dedicação, o povo dá graças à Santíssima Trindade, porque neste lugar reside à glória do Senhor, é lugar de oração e súplica, de culto e adoração, de graça e santificação. É o lugar onde o povo cristão busca o Deus vivo e verdadeiro. A oração de dedicação tem justamente o objetivo de indicar que a igreja é dedicada a Deus. O templo é o lugar privilegiado de encontro com Deus, onde se recebe o tesouro da fé, partindo do Batismo.

Dedicar e consagrar a Igreja é reconhecer confiantes este desígnio e amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo para conosco, e que ele age e é presente na História por meio de sua Igreja.

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